"O artista, um contemplativo que passa, atento somente, às manifestações de cor, de harmonia e de beleza, que escapam aos olhos dos outros."
Domingos Rebêlo, num artigo que escreveu sobre os seus tempos de estudante em Paris, in "Açoreano Oriental", 13 de Janeiro de 1946.
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 8 de Novembro de 2017


Ponta Delgada, 06 de Novembro de 2017

Aproveitando a vinda de uma Urban Sketcher amiga de Lisboa, a Rita Catita, e a seu pedido, fomos expressamente desenhar a Praia dos Moinhos, que para ela, é o lugar mais bonito do mundo. Fiquei entusiasmado, uma vez que, gostos à parte, e apesar da sua singular beleza, na nossa ilha há muitos mais lugares mais bonitos do mundo. A Rita é veterinária e veio a S. Miguel participar nas Jornadas da Associação Portuguesa de Buiatria, que ocorreu de 3 a 5 de Novembro em Ponta Delgada. Faço essa referência para insistir no aspeto de que não é necessário estar ligado às artes, para desenhar. O desenho em cadernos, ou noutro suporte qualquer, está ao alcance de qualquer pessoa. E teimo em chamar aqueles que, no silêncio das suas 4 paredes, têm receio de mostrar o que fazem. O grupo urban sketchers azores, ultimamente, embora ainda insuficiente para aquilo que podem promover, tem tido mais atividade, e neste grupo, é uma excelente forma, dado o espírito de partilha e aprendizagem com outros, para qualquer pessoa se iniciar com afinco à utilização do diário gráfico e se enriquecer com tudo aquilo que esta atividade trás.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Correio dos Açores - Edição de 27 de Julho de 2017


Ponta Delgada, 9 de Julho de 2017

Hoje, decidi arriscar e partilhar convosco um dos rabiscos de que pouco me orgulho. A falta de concentração, o excesso de calor ou dificuldade em articular o lápis e definir as linhas não me permitiram chegar ao resultado esperado. Principalmente no que concerne à coloração do céu. A colagem serviu exatamente para atenuar o enorme borrão que o representava. Reconheço que esta estratégia não salvou o desenho, mas a vontade de o partilhar convosco serve exatamente para mostrar os desenhos feitos em diários gráficos são registos do nosso estado de espírito, do nosso humor, da nossa disponibilidade emocional e, por esse motivo, o resultado é sempre espontâneo, genuíno e, muitas vezes, surpreendente.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Correio dos Açores - Edição de 29 de Junho de 2017


Ponta Delgada, 26 de Junho de 2017

Ao fazer este rabisco havia muitas coisas a assolar-me o pensamento, principalmente o horripilante incêndio em Pedrógão Grande. Não sou, nem nunca serei especialista em incêndios, o que sei é o que me vai chegando pelos meios de comunicação. E o que a nós chega é a ideia de que o estado, na sua obrigação máxima de proteger os cidadãos, falhou. Gravemente. Nos dias subsequentes registaram-se semblantes carregados, hoje, em festas de apresentação de candidaturas autárquicas, e falo da de Lisboa, são sorrisos de orelha a orelha. Como se nada tivesse acontecido e nada houvesse a explicar. Mais fácil veem explicar o porquê da contratação de um familiar, de um amigo, ou de um qualquer “boy”. Já são conhecidas falhas das diversas entidades envolvidas, desde falhas de comunicação/informação, falhas de assistência, etc, etc. É esse o país que temos, onde o assumir de responsabilidades é atitude vã e a “coluna vertebral” de quem nos governa mais parece um pau fino de plasticina.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 09 de Fevereiro de 2017


Ribeira Grande, 05 de fevereiro de 2017

Sempre que passo na circular norte da Cidade da Ribeira Grande, a minha observação diverge para uma Torre que se destaca no aglomerado habitacional da freguesia de Santa Bárbara. Agora, como munícipe da cidade nortenha, não fazia sentido observá-la apenas de longe e de passagem. Depois do almoço de domingo em família, lá fui eu em busca da torre que o meu rabisco contempla. Deparei-me, então, com uma Igreja de arquitetura contemporânea (ano de construção 1959), muito ao estilo do “Estado Novo”. De referir que a envolvente é de apetecível poiso, pois, a ladear este templo, encontram-se espaços verdes de lazer, raros junto desses monumentos religiosos. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Jorge Sena - Poesia 2




ENTRE O CÉU
E A TERRA PASSAM
Entre o céu e a terra passam
Quem passa? Nós?
Quem nós? Quem?

Passam terra e céu -
- O quê? Nós?
- O nós? O?

Jorge de Sena - Poesia 2

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 26 de Janeiro de 2017


Ribeira Grande, 23 de Janeiro de 2017

Ao final do dia de segunda-feira, 23 do corrente, ainda não tinha feito o rabisco a apresentar esta semana aos meus leitores e amigos que, com muita simpatia, me abordam, incentivam e muitas vezes pedem para rabiscar um ou outro aspecto das localidades onde residem. Mas o tempo urgia e com mais uma semana bastante atarefada pela frente, não perdi mais tempo e lá fui eu em busca de um recanto na cidade da Ribeira Grande. Sentado na escadaria norte da Igreja da Nª Srª da Estrela, vejo um bonito aglomerado de edificações, que outrora, com toda a certeza, foram moradas de Família de muitos Ribeiragrandenses. Hoje, para além de habitação, há edifício de serviços, escritórios, de turismo, etc. Deparo-me também com nomes de artérias de gente ilustre, como por exemplo, Travessa do Drº Gaspar Fructuoso, Rua de João d’Horta e ainda o tão homenageado Prior Evaristo Carreiro Gouveia. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 20 de Janeiro de 2017


Ribeira Grande, 15 de Janeiro de 2017

Outrora já vos mostrei aqui um rabisco do CAC – Arquipélago, na Ribeira Grande, mas hoje, o que mos mostro é um rabisco, do mesmo complexo, feito na mesma folha, mas dando uma continuidade da observação. Ou seja, é um desenho distendido realizado em dois pontos de observação. Neste rabisco estão presentes os 4 pontos cardeais. A coloração não é mais do que a delimitação, a amarelo, do “skyline” e a cinza escuro do “grounding line” – limite na ligação dos planos horizontais com os verticais.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 15 de Dezembro de 2016


Ribeira Grande, 12 de Dezembro de 2016

A caminho de casa, depois da jornada de trabalho, lembrei-me que ainda não tinha feito o rabisco para o jornal na presente semana. Como na semana que findou tive que me deslocar ao Município a fim de saldar a conta da água, reparei no tardoz do edifício dos Paços do Concelho da Cidade da Ribeira Grande. Pensei, na altura, para comigo – Isso aqui dava um rabisco bastante aceitável. E como a ocasião faz o ladrão, lá fui “roubar” este pedaço urbano ao tardoz da Câmara Municipal. Este edifício, em 1984, foi classificado como Imóvel de Interesse Público. Reconhecidamente, o edifício dos Paços do Concelho ocupa lugar de destaque no centro histórico da cidade. Devo salientar que, o largo no tardoz do edifício, ficou bastante melhor com a sua reorganização em termos de estacionamento. Melhorando o aspeto visual e deixando este edifício “respirar”.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 30 de Novembro de 2016


Ribeira Grande, 27 de Novembro de 2016

Este rabisco é a minha observação quando abro as portas da varanda. E, confesso, não me agrada. Não me agrada especialmente a coloração feita com lápis de cor aguareláveis. Mas cada vez mais me capacito que na próxima chance o resultado será melhor. Não sou tão lunático ao ponto de comparar a vida com um rabisco. Mas o certo é que o treino e a persistência fazem com que haja uma progressão natural de melhoria inerente, neste caso, à observação e desenho. E isso reflete-se, naturalmente, a tudo o que nos rodeia. Aos exercícios de matemática que a minha filhota tem a incumbência de resolvê-los, à simples condução de um automóvel. Portanto, a ênfase é não desistir.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 23 de Novembro de 2016


Ribeira Grande, 20 de novembro de 2016

Hoje apresento-vos a Ermida da Nossa Senhora da Ajuda, nos Fenais da Ajuda. Para saber o nome deste velho templo, tive que perguntar, a quem passava e o mais caricato da situação é que um habitante local não me soube informar. Fiquei perplexo, mas a verdade é que, no local, não existe uma única placa informativa nem mesmo a referência ao nome da Ermida. Já há algum tempo, a acompanhar um rabisco aqui publicado, referi a falta de informação e algum embelezamento nos nossos miradouros dispersos e constantes pela nossa ilha. Bem sei que aqui, neste local, não devemos exigir às entidades públicas a feitura desta informação cultural. Mas não ficava nada mal à Junta de Freguesia, junto com a Igreja local, tomarem a iniciativa de prestar essa informação ao cidadão comum, ao visitante e até ao próprio habitante da localidade. Bom, se calhar fui eu que tive o azar de não ir direito à pessoa certa.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 16 de Novembro de 2016


Ponta Delgada, 12 de Novembro de 2016

Nas primeiras horas depois do nascer do sol, o dia prometia ser claro, soalheiro e apetecível para deambular por algumas artérias da cidade da Ribeira Grande, com o intuito de captar pormenores: aspectos urbanos que, por certo, iriam despertar o meu desejo de rabiscar. Porém, o início da tarde veio quebrar essa promessa e este rabisco foi desenhado no interior do carro. Fiquei muito próximo da fachada desta igreja. Com medo de errar, comecei com a grafite e posteriormente com tinta-da-china. A coloração, tal como tantas outras, foi feita no conforto e no quentinho da nossa casa. Fica, então, o registo da tarde sombria, mas que, de forma habitual, consegui trazer o gosto pelo hobbie até casa, fazendo perdurar as sensações vividas aquando da sua realização.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 29 de Setembro de 2016



Ribeira Grande, 25 de setembro de 2016


Depois de um passeio de moto 4 pelo Monte Escuro, o ponto de descanso no percurso de regresso foi no miradouro de Santa Iria. Nunca tinha ganho a coragem de rabiscar esta paisagem para nascente, uma vez que, para mim, a vista presencialmente é deslumbrante. Os traços a caneta foram feitos em menos de 5 minutos. A coloração, de memória, foi feita em casa, sentado no sofá. E assim vou registando o meu dia-a-dia, ávido em aprender mais nestas coisas do desenho, das aguadas e do registo momentâneo dos sentimentos e observações. Por isso, vou participar num workshop “A escrita e o desenho no jornalismo”, um projeto da autoria de Alexandra Prado Coelho e Eduardo Salavisa, promovido pela A Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 14 de Setembro de 2016


Ribeira Grande, 11 de Setembro de 2016

Há relativamente pouco tempo apresentei um rabisco desta ponta, mas vista do lado inverso, ou seja, uma vista de poente para nascente. Hoje, a que vos apresento, é a tão apreciada vista da Ponta do Cintrão, observada do Miradouro de Santa Iria. Neste miradouro temos a possibilidade de contemplar quase toda a costa norte da nossa ilha, desde a ponta de João Bom até quase ao Nordeste. Inclusive observamos as cumeeiras das Sete Cidades, outro “ex libris” da nossa ilha. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Correio dos Açores - Edição de 17 de Agosto de 2016


Ribeira Grande, 14 de Agosto de 2016


A principal localidade nortenha, a cidade da Ribeira Grande, passou, desde há pouco tempo a esta parte, a ser o meu epicentro habitacional. E, confesso, ainda não me pus a deambular pelas ruas e ruelas desta bonita cidade. Quero fazê-lo com tempo, com um olhar despreocupado. Quero sentir a cidade e as suas gentes. Mas quero, essencialmente, voltar a apanhar o meu habitual registo. Hoje, o que vos apresento, é parte da Ponta do Cintrão, mas numa vista que não é tão conhecida pela maior parte dos veraneantes e visitantes do miradouro de Santa Iria. A minha opção neste rabisco, foi colori-lo a lápis de cor aguarelável, todavia, gostei das texturas que o lápis provocou na superfície do suporte e não entrei pela fusão de cores que certamente a água iria provocar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Correio dos Açores - Edição de 10 de Agosto de 2016


Ribeira Grande, 07 de Agosto de 2016

Confesso que o local e o silêncio exigia melhor, mas entre mudanças, partilhas e assuntos profissionais, numa passagem rápida pela freguesia dos Fenais da Ajuda, este foi o rabisco possível. O ato de desenhar é excelente para nos abstrairmos das correrias do dia-a-dia, mas os pensamentos permaneciam como uma espécie de nuvem que não me permitia ver além do imaginário do pensamento. Mas o gosto de partilhar convosco o meu diário gráfico, o compromisso com este jornal, fazem com que vá ganhando algum “descaramento” (desculpem-me a expressão) em apresentar-vos os rabiscos, mesmo aqueles que eu menos aprecio. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Correio dos Açores - Edição de 20 de Abril de 2016



Ribeira Grande, 15 de abril de 2016
No dia 15 de abril celebrou-se o dia do desenhador e, um pouco por todo o mundo, reuniram-se grupos para registar esta efeméride. A principal intenção foi lembrar que toda a nossa envolvência pode constituir um motivo para desenhar. Há os que se interessam mais por peças arquitetónicas, outros por pessoas na sua vivência quotidiana, outros ainda que preferem as paisagens e os encantos da natureza e todos os demais que, em qualquer circunstância, encontram um motivo para treinarem a arte de rabiscar.


Infelizmente por cá, em S. Miguel, esta data não mereceu a devida atenção. Se, por um lado, vou registando uma maior afluência de pessoas que se interessam pelos registos gráficos, por outro denoto a necessidade de se proporcionar mais encontros, workshops, convidar artistas locais para transmitirem as suas experiências, por exemplo. É preciso interagir com o cidadão comum, criar desafios à comunidade cultural. Como refere João Catarino, professor na Faculdade de Belas Artes e ilustrador, “o segredo é praticar…” Por isso, caros leitores, peguem num caderno e pratiquem.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Correio dos Açores - Edição de 6 de Maio de 2016


Porto Formoso, 02 de abril de 2016

Este fim-de-semana foi repleto de passeios pela nossa magnífica ilha e uma das paragens obrigatórias foi numa das duas fábricas de chá, das seis que já existiram em S. Miguel. Importa referir que, de toda a Europa, é cá, na nossa ilha, que se encontram as únicas plantações de chá com fins industriais.


Este passeio, motivado pela visita de três grandes amigos que vivem no continente, foi revigorante. O André Duarte Batista (1), a Marta e o Tomás colocaram a nossa ilha num patamar que eu não sabia que existia. Repare-se que este fato não significa que eu não valorize ou aprecie cada recanto, cada edifício ou cada paisagem de São Miguel. Foi com orgulho que os levei a visitar exatamente estes locais que, simultaneamente, costumam ser a minha inspiração quando rabisco! O que acontece é que enquanto habitante, vejo sempre, nos percursos que faço, aspetos a melhorar. A intenção é sempre a mesma: tornar a nossa ilha ainda mais atrativa, protegida e acolhedora e fazer com que estes valores perdurem no tempo. (1) O André Duarte Batista é Arquiteto e que também é apaixonado pelo desenho em diários gráficos. É um importante impulsionador do desenho de rua na cidade de Torres Vedras.

terça-feira, 5 de abril de 2016

a partilha


Foi com enorme gosto que acompanhei a visita à nossa ilha do André Duarte Batista, da Marta e do jovem encantador Tomás.

Aqui está o registo da praxe do mini encontro. Mini só pelo número. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Correio dos Açores - Edição de 30 de Março de 2016




Ponta Delgada, 26 de março de 2016

É, para mim, a mais bonita Lagoa dos Açores, a Lagoa do Fogo. E conheço quase todas. Este monumento natural, inserido na Reserva Natural da Lago do Fogo, é um importante ponto de interesse quer turístico, quer para investigação científica da biodiversidade e de outros aspetos existentes na zona. Tanto que, em 2008, foi publicado, no Diário da República, um decreto legislativo regional com vista à proteção, conservação e gestão do Parque Natural da Ilha de S. Miguel. 

Agora, com o crescente aumento turístico, julgo ser de todo conveniente renovar os cartazes informativos, os elementos urbanísticos de preservação do ambiente, como por exemplo papeleiras de lixo, bancos e floreiras de limitação de estacionamento. Enfim, uma pensada e estudada requalificação destes espaços exteriores onde, cada vez mais, são visitados pelos forasteiros que fazem do amor à natureza uma filosofia de vida, ao mesmo tempo que, divulgando estas experiências, as transformam na melhor campanha publicitária que a região necessita.

domingo, 27 de março de 2016

TukáTulá Bar


Fiz este rabisco depois de um passeio à Lagoa do Fogo com a Paula. Por forma a retemperar energias, paramos no areal de Santa Bárbara, onde existe o Bar Tuká Tulá. Eu bebi café e a Paula uma água lisa. 

Os primeiros traços fí-los a grafite, mas a confiança estava em alta e sem pensar muito abandonei o lápis e avancei com a caneta. O resto do café que ficou na chávena serviu para colorir o rabisco. Distraído, e sem pensar, jamais julguei que o açúcar no fundo da chávena iria dar um brilho diferente ao tom terra da água de café.