"O artista, um contemplativo que passa, atento somente, às manifestações de cor, de harmonia e de beleza, que escapam aos olhos dos outros."
Domingos Rebêlo, num artigo que escreveu sobre os seus tempos de estudante em Paris, in "Açoreano Oriental", 13 de Janeiro de 1946.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 12 de Janeiro de 2017


Angra do Heroísmo, 08 de Janeiro de 2017

Poderia começar o Ano Novo com rabiscos alusivos à época festiva, e motivos não faltavam. Pois, até reparei num deputado da nossa praça a manifestar-se incomodado com a forma e como os festejos, do Povo, se realizou na baixa da Cidade de Ponta Delgada. Certamente não teve em conta que há pouco tempo atrás esteve de casa em casa, do mesmo Povo que agora festejou a passagem de ano, a pedir o voto para a sua causa. Não ouvi murmúrio algum de indignação aquando desta “caça ao voto”. Pasmei-me com essa manifestação de desassossego. Poderia até pegar na mais recente polémica sobre a falta de produtividade no plenário regional. Ou, agora mais recentemente, sobre o cancelamento e adiamento de toda a semana de trabalhos no plenário. Uns não cancelam visitas de estado, outros preferem os adiamentos a trabalhar. Mas isso tudo para vos dizer que não é essa a minha motivação com estes rabiscos publicados aqui no Jornal. Hoje apresento-vos, e não foi de propósito, a Igreja da Nossa Senhora de Belém na ilha Terceira, coloquei no “imaginário” umas estrelas, para de forma utópica desejar que elas nos guie a uma maior produtividade e ao bom senso que deve prevalecer nestes dias de arranque do Ano. Feliz Ano Novo a Todos!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 29 de Dezembro de 2016


Ribeira Grande, 27 de Dezembro de 2016

Angra do Heroísmo tem muitos aspetos apetecíveis de rabiscar. Este é um deles. A convite do meu Amigo Emanuel Félix lá fui desenhar um pouco de Angra. Encostado a uma das empenas do espaço cultural “Recreio dos Artistas”, deparo-me com o tardoz do Antigo Convento de S. Gonçalo, localizado no centro histórico de Angra. É considerado o maior e mais antigo convento da cidade e o maior do arquipélago, tendo chegado a abrigar mais de cem religiosas. Constituiu-se em reputado centro de educação e de belas-artes, chegando a reunir duas centenas de educandas, que aqui tinham aulas de música, canto, desenho, pintura e humanidades. No contexto da Guerra Civil Portuguesa, durante os dois anos da presença das forças liberais portuguesas na Terceira (1830-1832) de acordo com o historiador terceirense Francisco Ferreira Drummond, as freiras deste convento desenvolveram um "ardente desejo da liberdade do século, não se contentando muitas d'ellas com a sua profissão que cobriam de pragas e anátemas". À época, o convento foi "refrigério de emigrados", nele vivendo-se "vida galante", tendo nele o próprio Pedro IV de Portugal a sua "freira dilecta", com quem partilhava "melodiosos accentos de poesia". Muito mais havia a contar sobre este monumento classificado. Mas deixo aqui a dica para pesquisarem e indagarem sobre o registo histórico que este Convento tem para oferecer.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 23 de Dezembro de 2016


Ribeira Grande, 18 de Dezembro de 2016

Este é o registo da minha mais recente viagem de trabalho. Fui até Vila Nova de Gaia e no pouco tempo que tive para fazer um rabisco, desci a Avenida da República e numa travessa junto ao “el corte inglés” deparei-me com esta igreja. A Igreja de S. Gonçalo em Mafamude. O tempo era escasso, por isso, não perdi tempo em tirar da sacola o caderno e a caneta. Quis, sem prestar muita atenção a pormenores, registar a visita a Gaia e não ficar com lamentos de não ter feito qualquer uso do meu diário gráfico. Muitos outros aspetos havia a registar. O desejo de ter desenhado, por exemplo, a Ponte da Arrábida, ou até mesmo a Ponte D. Luís I, fica sempre indissociável da vontade de regressar. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 15 de Dezembro de 2016


Ribeira Grande, 12 de Dezembro de 2016

A caminho de casa, depois da jornada de trabalho, lembrei-me que ainda não tinha feito o rabisco para o jornal na presente semana. Como na semana que findou tive que me deslocar ao Município a fim de saldar a conta da água, reparei no tardoz do edifício dos Paços do Concelho da Cidade da Ribeira Grande. Pensei, na altura, para comigo – Isso aqui dava um rabisco bastante aceitável. E como a ocasião faz o ladrão, lá fui “roubar” este pedaço urbano ao tardoz da Câmara Municipal. Este edifício, em 1984, foi classificado como Imóvel de Interesse Público. Reconhecidamente, o edifício dos Paços do Concelho ocupa lugar de destaque no centro histórico da cidade. Devo salientar que, o largo no tardoz do edifício, ficou bastante melhor com a sua reorganização em termos de estacionamento. Melhorando o aspeto visual e deixando este edifício “respirar”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 7 de Dezembro de 2016


Ponta Delgada, 03 de novembro de 2016

O Ilhéu do Rosto do Cão, também conhecido por Ilhéu de São Roque dada a sua localização é “uma pequena e estreita península de material palagonítico relativamente litificado, que se estende cerca de 80 metros mar a dentro a partir da linha de costa, atingindo uma altura máxima de cerca de 35 metros. O ilhéu é constituído pelos restos muito desmantelados de um pequeno cone litoral, formado a menos de um centena de metros da costa, que a ela se juntou devido à acumulação de materiais eruptivos  (num processo semelhante aos do vulcão dos Capelinhos, embora de muito menor dimensão). O vulcão está instalado na falha que sai do Pico do Boi e vai até Rosto de Cão, marcando o local onde ela mergulha no mar.”

Aos mais atentos certamente darão por falta da bandeira da independência dos Açores fixada no cume deste ilhéu. Não estou contra qualquer manifestação dos ideais políticos para a região, cada um é livre de expressar as suas vontades e desejos dentro da liberdade e regras que todos nós devemos respeitar. O que não entendo, sendo este um “monumento natural” incluído na paisagem protegida na Reserva Ecológica Regional, é que seja permitido o acesso a este. Pois, as autoridades competentes deverão estar mais atentas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 30 de Novembro de 2016


Ribeira Grande, 27 de Novembro de 2016

Este rabisco é a minha observação quando abro as portas da varanda. E, confesso, não me agrada. Não me agrada especialmente a coloração feita com lápis de cor aguareláveis. Mas cada vez mais me capacito que na próxima chance o resultado será melhor. Não sou tão lunático ao ponto de comparar a vida com um rabisco. Mas o certo é que o treino e a persistência fazem com que haja uma progressão natural de melhoria inerente, neste caso, à observação e desenho. E isso reflete-se, naturalmente, a tudo o que nos rodeia. Aos exercícios de matemática que a minha filhota tem a incumbência de resolvê-los, à simples condução de um automóvel. Portanto, a ênfase é não desistir.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Correio dos Açores - Edição de 23 de Novembro de 2016


Ribeira Grande, 20 de novembro de 2016

Hoje apresento-vos a Ermida da Nossa Senhora da Ajuda, nos Fenais da Ajuda. Para saber o nome deste velho templo, tive que perguntar, a quem passava e o mais caricato da situação é que um habitante local não me soube informar. Fiquei perplexo, mas a verdade é que, no local, não existe uma única placa informativa nem mesmo a referência ao nome da Ermida. Já há algum tempo, a acompanhar um rabisco aqui publicado, referi a falta de informação e algum embelezamento nos nossos miradouros dispersos e constantes pela nossa ilha. Bem sei que aqui, neste local, não devemos exigir às entidades públicas a feitura desta informação cultural. Mas não ficava nada mal à Junta de Freguesia, junto com a Igreja local, tomarem a iniciativa de prestar essa informação ao cidadão comum, ao visitante e até ao próprio habitante da localidade. Bom, se calhar fui eu que tive o azar de não ir direito à pessoa certa.