"O artista, um contemplativo que passa, atento somente, às manifestações de cor, de harmonia e de beleza, que escapam aos olhos dos outros."
Domingos Rebêlo, num artigo que escreveu sobre os seus tempos de estudante em Paris, in "Açoreano Oriental", 13 de Janeiro de 1946.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Correio dos Açores - Edição de 12 de Abril de 2017



Ponta Delgada, 10 de abril de 2017


O rabisco que hoje vos apresento é o tardoz do Forte de S. Brás, uma vista de nascente para poente. Estes monumentos impressionam-me bastante, tanto pela sua grandeza, uma vez que o início da sua construção data de meados do Séc. XVI, e nesta época, longe estávamos da facilidade de construção que hoje se vive, como pela história que cada pedra, que constitui este castelo, carrega em si mesma. A esse respeito, podemos falar das razões que motivaram a sua construção, das voltas da decisão e, ainda, das estórias dos homens com as suas forças, braçais e intelectuais, conseguiram erguer este importante monumento da cidade de Ponta Delgada. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Correio dos Açores - Edição de 05 de Abril de 2017


Ponta Delgada, 03 de abril de 2017

Esta semana foi marcada pelo Azores Airlines Rallye – 52ª Edição, um evento que mobiliza os melhores pilotos da Europa, fascina os fãs do rallye e promove a nossa ilha, com troços que permitem vislumbrar, sob várias perspectivas, a beleza de São Miguel. Confesso que este evento se torna ainda mais especial pela representação dos pilotos açorianos que juntam a sua competência à humildade e seriedade com que se dedicam à sua causa.

Não é frequente aproveitar um evento para colocar aqui um rabisco sobre o mesmo. Mas este é diferente: quero prestar uma pequena homenagem a um Campeão. Esse Campeão é Horácio Franco. Ídolo de muitos aficionados do desporto motorizado e referência para os que agora, com mérito também, singram nas estradas da nossa ilha. 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Correio dos Açores - Edição de 30 de Março de 2017


Ponta Delgada, 27 de março de 2017

No final da passada semana tive que ir à ilha Terceira. O tempo disponível era escasso, e por isso, a caminho do local de almoço, parei o carro na zona do Fanal em Angra do Heroísmo e deparei-me com uma vista fantástica. Para poente vi a costa rendilhada da ilha terceira, desde o Fanal até, se não estou em erro, S. Mateus, conseguindo, simultaneamente, vislumbrar as ilhas de S. Jorge e do Pico. A nascente observava o Monte Brasil. No rabisco que vos mostro hoje, quase que junto a ponta da ilha do Pico com a ponta do Monte Brasil. Mas a distância real não é esta. Resolvi aproximar ambos os polos para, assim, conseguir retratar, na mesma página dupla do caderno, um pequeno vislumbre daquela maravilhosa vista.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Correio dos Açores - Edição de 24 de Março de 2017


Ponta Delgada, 21 de março de 2017

Há muito que desejava fazer este rabisco. Não só pela beleza do “in loco” observado, mas sobretudo pelos sentimentos que me assolam quando subo à Barrosa. Querer sentir e imaginar a formação da geografia desta ilha. Experimentar essa transformação provoca uma condição de vulnerabilidade perante uma energia que nenhum de nós é capaz de suster. Seguindo essa linha de pensamento, seria expectável que me sentisse mais seguro no alto, longe do perigo. Mas é precisamente neste topo que me reduzo a uma imensa pequenez e nela consigo esgravatar a humilde e frágil vida humana. E esse sentimento traz-me, ironicamente, mais segurança. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Correio dos Açores - Edição de 21 de Março de 2017


Ponta Delgada, 12 de março de 2017

Não sei explicar o que me traz tantas vezes a este local. A sério que não sei! Será o ilhéu de S. Roque, o forno da cal, a maresia? De uma coisa estou certo: sou apaixonado por Ponta Delgada. Nela sinto-me seguro a desenhar. Cidade de Antero, onde a Esperança não conseguiu demovê-lo. Cidade de Domingos, onde a etnografia dos “Emigrantes” perpetua nas nossas gentes. E hoje, mais uma vez, apresento-vos um rabisco desta cidade, com uma miscelânea de cores, feita a lápis aguareláveis, embora tenha optado por não provocar a fusão das cores com uma aguada.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Correio dos Açores - Edição de 08 de Março de 2017



Ponta Delgada, 04 de Março de 2017

Poderia começar por criticar o próprio rabisco apresentado, mas não é isso que vou fazer. Ele de si já é tão mau que não merece nenhuma palavra de apreço. Todavia, o aspeto real, do outrora Hotel Monte Palace (hoje monte de desolação), nas Sete Cidades, em modesta opinião, é bem mais aterrador ao vivo do que este que aqui traduzo. Aterrador na imagem que passa; aterrador para aquilo que queremos do turismo; aterrador na consciência de cada micaelense. Bem sei que o capital é pouco e que o estado nem sempre se pode substituir aos privados, mas essa questão, do Monte Palace, é premente. Alteram-se leis à justa medida dos interesses partidários, dos privados, das instituições financeiras, etc, etc… Desde do seu fecho já lá vão 27 anos. É demasiada apatia da classe decisória. Não acham? 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Correio dos Açores - Edição de 01 de Março de 2017


Ponta Delgada, 26 de fevereiro de 2017

Sempre que viajo até à Ilha do Faial, mais do que o desejo de ver o Pico completamente descoberto e nítido, o meu ímpeto inicial é ir até ao Vulcão dos Capelinhos. Desta vez não foi possível, uma vez que reuniões profissionais não o permitiram. Não obstante, no final do dia, em conjunto com os meus restantes colaboradores, lá fomos ver o que outrora foi o impetuoso e arrebatador Vulcão dos Capelinhos. Quando aqui chego o que mais me impressiona é o silêncio. Esse mesmo silêncio traz com ele o poder de introspeção que, em mim, conduz sempre para um sentimento de pequenez, de efêmero e de grande volatilidade de todo o ser humano, perante aquilo que é a constante transformação terrestre. Já depois do jantar e, sentado no café Peter, dei cor ao rabisco, entre um gole no gim (o meu lá em casa é bem mais saboroso) e uma pincelada com o que sobrou do café. E assim, às camadas, fui colorindo o rabisco que hoje vos apresento. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 22 de Fevereiro de 2017


Ponta Delgada, 18 de fevereiro de 2017

Outrora já vos tinha apresentado um rabisco desta vista da Lagoa das Sete Cidade. Hoje a diferença está na coloração e na composição. Enquanto no anterior coloquei uma palete de cores das mais diversificadas, o de hoje apresenta um aspeto policromático e com uma composição onde a Lagoa divide o espaço com uma casa típica da localidade. Usei uma caneta de aparo médio, com tinta solúvel em água.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 15 de Fevereiro de 2017


Ponta Delgada, 12 de fevereiro de 2017


Ter vindo a este espaço trouxe-me à memória uma infinidade de lembranças. O facto de ter frequentado a escola Canto da Maia, as e os colegas de turma, a professora de Educação Visual (lamentavelmente não me recordo do nome), e até uma visita de estudo a um Solar que existia onde hoje é a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Lajedo. Esse Solar era propriedade do 1º Visconde de Santa Catarina – Baltazar Rebelo Borges de Castro. Ao que parece, foi doado em tempos uma parcela daquele terreno à Diocese, precisamente para construir um templo. Não sei se partia do pressuposto que o antigo Solar seria para demolir.

Hoje, passado quase uma década da inauguração deste templo, discute-se a demolição do Palacete Caetano de Andrade em Ponta Delgada, para dar lugar a um edifício de comércio. Não vejo, em modesta opinião, razões para tamanho celeuma. Por si só renovar-se-á a zona, deixará de existir um “ponto negro” no centro da cidade e, para além do mais, manter-se-á a fachada principal, deixando assim um “testemunho” importante da arquitetura do Séc. XVI. Em termos comparativos, embora sejam casos completamente diferentes, do Solar no Lajedo não restou a mais pequena pedra, ficando apenas, para memória futura, as duas palmeiras que aqui retrato. Não vos parece ter valido a pena? 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 09 de Fevereiro de 2017


Ribeira Grande, 05 de fevereiro de 2017

Sempre que passo na circular norte da Cidade da Ribeira Grande, a minha observação diverge para uma Torre que se destaca no aglomerado habitacional da freguesia de Santa Bárbara. Agora, como munícipe da cidade nortenha, não fazia sentido observá-la apenas de longe e de passagem. Depois do almoço de domingo em família, lá fui eu em busca da torre que o meu rabisco contempla. Deparei-me, então, com uma Igreja de arquitetura contemporânea (ano de construção 1959), muito ao estilo do “Estado Novo”. De referir que a envolvente é de apetecível poiso, pois, a ladear este templo, encontram-se espaços verdes de lazer, raros junto desses monumentos religiosos. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 03 de Fevereiro de 2017


Ribeira Grande, 29 de Janeiro de 2017

Já em casa e sentado no sofá, depois de uma viagem até à ilha de S. Jorge, faço a coloração deste rabisco. Pelo meio tive uma aterragem no aeroporto da ilha Terceira, onde o Dash Q400 parecia uma folha de árvore sacudida e levada pelo vento. Valeu a acalmia do tempo em S. Jorge, propicia ao desenho, pois todo e qualquer recanto desta ilha merece ser rabiscado. Com pouco mais de duas horas para desenhar, lá encontrei, a caminho do aeroporto das Velas, uma localidade chamada Queimada. Esta localidade oferece uma vista para a Vila de Velas e os seus dois Morros – o Morro Grande e o Morro de Lemos. Mas não me fiquei por aí; mais adiante encontrei a Ermida da Nª Srª da Boa Hora. Não perdi tempo, pois este já era escasso, e acrescentei à mesma folha os traços singulares desta Ermida.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Jorge Sena - Poesia 2




ENTRE O CÉU
E A TERRA PASSAM
Entre o céu e a terra passam
Quem passa? Nós?
Quem nós? Quem?

Passam terra e céu -
- O quê? Nós?
- O nós? O?

Jorge de Sena - Poesia 2

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 26 de Janeiro de 2017


Ribeira Grande, 23 de Janeiro de 2017

Ao final do dia de segunda-feira, 23 do corrente, ainda não tinha feito o rabisco a apresentar esta semana aos meus leitores e amigos que, com muita simpatia, me abordam, incentivam e muitas vezes pedem para rabiscar um ou outro aspecto das localidades onde residem. Mas o tempo urgia e com mais uma semana bastante atarefada pela frente, não perdi mais tempo e lá fui eu em busca de um recanto na cidade da Ribeira Grande. Sentado na escadaria norte da Igreja da Nª Srª da Estrela, vejo um bonito aglomerado de edificações, que outrora, com toda a certeza, foram moradas de Família de muitos Ribeiragrandenses. Hoje, para além de habitação, há edifício de serviços, escritórios, de turismo, etc. Deparo-me também com nomes de artérias de gente ilustre, como por exemplo, Travessa do Drº Gaspar Fructuoso, Rua de João d’Horta e ainda o tão homenageado Prior Evaristo Carreiro Gouveia. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 20 de Janeiro de 2017


Ribeira Grande, 15 de Janeiro de 2017

Outrora já vos mostrei aqui um rabisco do CAC – Arquipélago, na Ribeira Grande, mas hoje, o que mos mostro é um rabisco, do mesmo complexo, feito na mesma folha, mas dando uma continuidade da observação. Ou seja, é um desenho distendido realizado em dois pontos de observação. Neste rabisco estão presentes os 4 pontos cardeais. A coloração não é mais do que a delimitação, a amarelo, do “skyline” e a cinza escuro do “grounding line” – limite na ligação dos planos horizontais com os verticais.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Correio dos Açores - Edição de 12 de Janeiro de 2017


Angra do Heroísmo, 08 de Janeiro de 2017

Poderia começar o Ano Novo com rabiscos alusivos à época festiva, e motivos não faltavam. Pois, até reparei num deputado da nossa praça a manifestar-se incomodado com a forma e como os festejos, do Povo, se realizou na baixa da Cidade de Ponta Delgada. Certamente não teve em conta que há pouco tempo atrás esteve de casa em casa, do mesmo Povo que agora festejou a passagem de ano, a pedir o voto para a sua causa. Não ouvi murmúrio algum de indignação aquando desta “caça ao voto”. Pasmei-me com essa manifestação de desassossego. Poderia até pegar na mais recente polémica sobre a falta de produtividade no plenário regional. Ou, agora mais recentemente, sobre o cancelamento e adiamento de toda a semana de trabalhos no plenário. Uns não cancelam visitas de estado, outros preferem os adiamentos a trabalhar. Mas isso tudo para vos dizer que não é essa a minha motivação com estes rabiscos publicados aqui no Jornal. Hoje apresento-vos, e não foi de propósito, a Igreja da Nossa Senhora de Belém na ilha Terceira, coloquei no “imaginário” umas estrelas, para de forma utópica desejar que elas nos guie a uma maior produtividade e ao bom senso que deve prevalecer nestes dias de arranque do Ano. Feliz Ano Novo a Todos!